quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Memórias

Hoje, perdi uma peculiar parte de mim, sem ao menos tê-la, sem ao menos fazer nada, sem ao menos poder. Conforta-me a ilusão de acreditar que deveria ser assim. Mas eis que em um momento, em apenas um momento, vemos a ínfima lacuna que fomos diande da grande possibilidade que seremos. Por esses minutos de lucidez, brindo estes pensamentos a quem não sei definir, apenas, tão só, valorizar. Obrigado.


(19:00 à 19:30 - 12/11/09)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A mar

As ondas sondam,
O mar que encanta,
Os corações que amam,
Saudoso o vento canta.

Ontem, tu me mandas,
Tuas lamúrias, desencantos,
O coração feito pedra, quantos enganos,
Por ti bruxa-sereia, fui me apaixonar.

domingo, 16 de agosto de 2009

E agora, amor?

Estilização do poema José de Carlos Drummond de Andrade.


E agora, Íkarus?
O amor acabou,
o sentimento cessou,
a ilusão sumiu,
a noite chegou.
E agora, Vicare?
E agora, você?
Declarando e recitando,
repercute os corações,
nos outros desperta,
sentimentos versáteis,
quem ama, não contesta?

Está sem essência.
Está sem falácias.
Está sem caminhos,
já não pode sentir,
já não pode amar,
viver já não pode,
a chama apagou,
a essência não veio,
o carinho não veio,
a felicidade não veio.
Não veio a ilusão
de que nada acabou,
onde tudo nasceu,
destinado pereceu,
e agora Glauco?

E agora, Ménade?
Sua oca palavra,
sua verborragia febril,
sua pena e tinteiro,
seu coração,
sua fatídica ação,
sua diluída verdade,
sua meticulosa incoerência,
seu amor? - E agora?

A mil passos branda então,
quer viver o amor agora;
amor sem essência inexiste.
Quer a simplicidade sincera;
mas escasso o peito ficou.
Ao passado quer regressar;
lembranças e nada mais.
Dionísio, e agora?

Repensemos o amor.
(Eu te amo, eu te amo, eu te amo...)


(30/04/09)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

(...)

A vida...

A vida é uma bolha de sabão na história. A vida é viva, é um instante incerto com possibilidades. A vida é um jogo de xadrez mal resolvido, é um fim certo, é uma trapaça sorrateira. A vida é uma possibilidade; a morte uma certeza. A vida é frágil, é débil, ilude e nos faz sonhar. A vida é um muro mal fundamentado por nós, é esquecer o que sempre nos acompanha.

A vida por só vida não é viva, não vive, inexiste na verdade que alguns descobrem. Quem entende a vida elimina suas possibilidades, é tido como uma insanidade tão lógica resposta, cega perante a quem se ilude, a quem vive. A vida não é bonita, não é mágica e tão pouco viva, é uma sarjeta sórdida, é o mito de Platão, o ouro de Midas e as asas de Ícaro.

Há a necessidade intrínseca da ilusão, do sonho, do mito, necessidade de fazer a vida ser qualquer coisa, menos vida, é acreditar e desejar algo que justifique o que nunca esteve justificado e é criar um fim para o que é incerto, ao mesmo tempo, por todos nós conhecido e ignorado para proteger-nos da insanidade.

A vida é um caos, estar vivo um acaso, como explicar a vida, se não tão perfeitamente como uma bolha de sabão, que nasce nos lábios de não se sabe quem e que brilha intensamente, que sutilmente deixa-se levar e que em si mesma trás por dentro um sopro raro, um ar especial que a sustenta e a faz flutuar, onde suas paredes são tão frágeis, ao qual em alguns segundos dissolve-se e é esquecida.

Há a necessidade de acreditar nos lábios, acreditar que ele existe, seja conscientemente ou não temos em nós o mito dos lábios soprantes. A bolha que transpassa suas barreiras abre mão de seu sopro ilusório e raro, dissolve o que é belo, descobre a verdade sobre os lábios, e logo após, mistura-se ao ar, como se nunca houvesse existido.

A vida é como este texto, não coeso e redundante, insignificante, mas que, porém, vive.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

(...)

Quem abre o coração,
nunca mais fecha-o a alguém,
mesmo que seja ninguém,
que no futuro ficou.

É o que dizem por aí.



"É pau, é pedra, é o fim do caminho.
É um resto de toco, é um pouco sozinho."

(Tom Jobim)
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