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terça-feira, 12 de abril de 2011

Natureza estagnacional das estações

Moro em um país onde galhos, folhas, flores e frutos, caem.

No inverno, galhos entremeados na multidão arborizada dialogam sobre os parentes senis que os abandonam, rumando em direções aleatórias, ao ar. Em queda livre, vão unir-se aos que já não tiveram forças para manterem-se por si, presos por laços de seiva. Na árvore em que moro, galhos se sobrepujam sem leis por espaço: os mais fortes, frondosos, de caráter ambicioso, e, muito bem asseados no asseio do parecer, sempre brancos, brancos como a luz, galhos nobres que são, detém os maiores benefícios do sol. Os do cerne, restringidos pelos outros, presos em si, por si, distante de quaisquer luzes, são negros como a noite, quase sempre negros ou mulatos, e em seus pesadelos, desfavorecidos, não contam com os raios de psicólogos-gama e médicos-violeta. Minha alma definha com a árvore.

No outono, a hierarquia das folhas se estabelece da copa verde e amarela às periferias inferiores. A folha mais alta, ocupando a posição mais importante legisla sobre as outras. Seu assistente nervuroso forma o gabinete e assessora a atividade sistemática de vegetar e fotossintetizar a justiça distributiva de bens-seivosos primordiais à subsistência dos sistemas sociais internos das folhas. Mas a corrupção dos vermes e insetos ataca a essência do organismo sociológico e as folhas, em hierarquia, das periferias inferiores à copa já amarelada do legislador-verde, inertes, caem. Minha esperança se corrompe com a folha.

No verão, os frutos nos inundam os sentidos de felicidade sinestésica. Os aromas, cores e sabores se misturam ao ar quente e alegórico que ocasionalmente, durante um período do ano, sugere voluptuosamente um carnis valles em queda livre. Porém, ao solo, em máscaras lantejouladas os frutos acoplam seus corpos veludosos em uma orgia dionisíaca. Muitas desfalecem no ardente asfalto da passarela, outras, caindo em solo arenoso, lentamente degeneram-se na superficialidade-abre-alas. Poucas sementes renascem do samba-enredo polposo na de-composição de memórias, encontrando solo fértil na identidade histórica estagnacional. Com as sementes, meu rosto - sem máscaras - desfigura-se sem identidade.

Na primavera, o rouxinol teológico vem de encontro às flores, e seu melodioso canto transcendente aturde das mais belas pétalas às mais arredias, que rumam ao místico florescer. Longe se ouve os apelos de Zéfiro, prestes a raptar Clóris, e, lentamente, uma... outra... uma... as corolas angelicalmente emplumadas de preces lançam-se ao vazio existencial. Pequenina, vejo uma pétala fluir pela turva água-benta flutuando na sarjeta, porém seu navegar é leve, gracioso, profundo e efêmero. Com a pequenina, meu coração se esvai no sagrado mistério de existir.

Moro em um país onde galhos, folhas, flores e frutos, caem. Apenas observo e lamento os poucos segundos de singeleza delicada no turbilhão estagnacional das estações. E, paradoxalmente... sinto-me feliz, pois o ciclo da existência - e das estações - continuará.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quem - ou o que - sou?

Uma descrição singela, porém justa, basear-se-ia nas expectativas e frustrações projetadas sobre meu corpo e/ou palavras. Minhas faltas, nada mais do que já vistes e desaprovastes - repugnastes. Meus acertos, seus objetivos - anseios. Cabe a ti, agora, julgar conforme o tato: escolha a cor, doce ou amargo? A quem preferir ambos - caso tenha ciência da dualidade - sem o véu nos olhos que cobre o - ingênuo - senso de humanidade presente em cada ser, a minha sincera admiração. Agora podes responder - com convicção - o que sou, ou o que deveria ser.

domingo, 4 de julho de 2010

Citatene Purp

Coronária de São Paulo, em um bloco qualquer submerso no subcutâneo da sociedade: reduto de verdades, sinceridades e amargor, um belo lugar de se levar a vida, diga-se de passagem. Ao lado de uma artéria, mal se distingue o que poderia ser considerado uma pessoa. Na taciturnidade, lânguido às frestas de um bueiro, cabelos vermelhos e desbotados em um corpo sacramente prostrado perante a realidade, na tez seminua e voluptuosa a expressão do acaso, a essência lúcida, mas, que olhos vivazes, que olhos verdadeiros fitam os feixes brilhantes que se insinuam na caverna. Lábios trêmulos. Distingue-se o desejo na noite que se aproxima trazendo peripécias aos frutos vistosos da ilusão.

- Quantas formas de extrair prazer...

Lábios trêmulos.
Afastando ambas as mãos de seu âmago, expõe um singelo metal perfurante.
O desejo incita seus sentidos, o momento se aproxima.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cerejeiras da vida

Olívio não soube o que acontecera frente a seus olhos. A pálida face embebida em seiva própria, os fios longos, ruivos, envoltos pela viscosa polpa estagnada, tais humanos membros tão frágeis, descansando suavemente, pelo quais ramificações vivas retocavam-lhe as características leitosas. Tal quadro o perturbava de tal forma que seu corpo não se movia, era regido por uma natureza maior; terrificante.

Não sabia o que ocorrera consigo. Em meio às lamurias por onde a curiosidade abre caminho, através de astuciosas espreitadelas deparou-se com olhos profundos, de um rubi puro e cristalino, onde a pupila pulsava lânguida, prestes a extinguir-se, e tudo silenciou.

Olívio não era mais. Sua desfocada visão permeando a densa floresta que o envolvia apenas conseguia deter-se às centelhas da triste e viva chama púrpura, que era exalada pelo vislumbrar vívido. O ar rarefeito fazia com que aquela profunda visão o acometesse de vertigens. Seus sentidos fartavam-se dos raios violetas enchendo-o de angústia e medo.

Seu coração pulsou.

Estava deitado nas raízes de uma frondosa cerejeira paralela a um pacífico casebre, enquanto a tarde deitava tranquilamente consentindo com a estreita vereda. Olívio refletiu, não sabia ao certo o que fora aquilo, - um sonho talvez -, e apesar de sua inquietação, recostou-se novamente na árvore observando seus galhos, suas ramificações.

Percorria com os olhos cada artéria. Via naquela trama viva tantos encontros e desencontros que, a cada singela cereja que surgia, por menor que fosse, afigurava-se com tamanha intensidade em sua mente, que por um momento chegou a acreditar que sua cor fosse sua essência, incutindo-lhe a vida, desde sua tenra idade até seu lento definhar, - e tudo parecia tão natural.

- Sou cereja? Olívio indagou.

Mas não houve uma resposta antes de suas pálpebras cerrarem-se novamente.

Olívio não era mais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Individualidade

Uma - aliás, não uma, não, mais uma, uma entre tantas, - ínfima centelha da condição humana, que acredita - qual não acreditaria? - ser toda a constelação divina.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Silêncio

Silêncio
(latim silentiu)
s. m.
1. Estado de quem se abstém de falar.
2. Cessação de ruído.
3. Interrupção de correspondência.
4. Omissão de uma explicação.
5. Sossego.

Memórias

Hoje, perdi uma peculiar parte de mim, sem ao menos tê-la, sem ao menos fazer nada, sem ao menos poder. Conforta-me a ilusão de acreditar que deveria ser assim. Mas eis que em um momento, em apenas um momento, vemos a ínfima lacuna que fomos diande da grande possibilidade que seremos. Por esses minutos de lucidez, brindo estes pensamentos a quem não sei definir, apenas, tão só, valorizar. Obrigado.


(19:00 à 19:30 - 12/11/09)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

(...)

A vida...

A vida é uma bolha de sabão na história. A vida é viva, é um instante incerto com possibilidades. A vida é um jogo de xadrez mal resolvido, é um fim certo, é uma trapaça sorrateira. A vida é uma possibilidade; a morte uma certeza. A vida é frágil, é débil, ilude e nos faz sonhar. A vida é um muro mal fundamentado por nós, é esquecer o que sempre nos acompanha.

A vida por só vida não é viva, não vive, inexiste na verdade que alguns descobrem. Quem entende a vida elimina suas possibilidades, é tido como uma insanidade tão lógica resposta, cega perante a quem se ilude, a quem vive. A vida não é bonita, não é mágica e tão pouco viva, é uma sarjeta sórdida, é o mito de Platão, o ouro de Midas e as asas de Ícaro.

Há a necessidade intrínseca da ilusão, do sonho, do mito, necessidade de fazer a vida ser qualquer coisa, menos vida, é acreditar e desejar algo que justifique o que nunca esteve justificado e é criar um fim para o que é incerto, ao mesmo tempo, por todos nós conhecido e ignorado para proteger-nos da insanidade.

A vida é um caos, estar vivo um acaso, como explicar a vida, se não tão perfeitamente como uma bolha de sabão, que nasce nos lábios de não se sabe quem e que brilha intensamente, que sutilmente deixa-se levar e que em si mesma trás por dentro um sopro raro, um ar especial que a sustenta e a faz flutuar, onde suas paredes são tão frágeis, ao qual em alguns segundos dissolve-se e é esquecida.

Há a necessidade de acreditar nos lábios, acreditar que ele existe, seja conscientemente ou não temos em nós o mito dos lábios soprantes. A bolha que transpassa suas barreiras abre mão de seu sopro ilusório e raro, dissolve o que é belo, descobre a verdade sobre os lábios, e logo após, mistura-se ao ar, como se nunca houvesse existido.

A vida é como este texto, não coeso e redundante, insignificante, mas que, porém, vive.

sábado, 4 de abril de 2009

(...)

Minha vida tem se tornado muito surrealista ultimamente. Sinto que se eu batesse os braços, poderia voar com as andorinhas, poderia perder o limiar do que realmente vejo. Imagens desconexas, sentimentos em suas formas tridimensionais.

Perdi o desejo pelas cores, pelos sabores, pela preferência. A vida se tornou um carretel ao qual estende seu barbante já pesado demais pelo comprimento, constante, sempre seguindo na mesma freqüência, tons de cinza por todos os lados, as pessoas tornaram-se sombras pela qual não as diferencio uma das outras.


Sinto falta de uma grande cólera incurável, de um problema irremediável, algo do qual eu possa fazer objeções, um mal necessário que faça nascer em mim o instinto, a ânsia de continuar. Sinto-me incompleto, não pela ausência, mas sim pelo excesso, como se minha alma não coubesse mais em meu corpo.


Cada detalhe, cada segundo me prende, mergulho na imensidão do nada, um momento torna-se eterno, as palavras tem o poder de transmutar a realidade, pois a minha, talvez já não seja mais tão real.


Minha existência está lutando em função de descobrir um significante, um motivo para si mesma, algo que a justifique. Já não tenho mais consciência sobre essas coisas. Percebo não estar mais em mim, sinto-me distante, apenas observando, vendo minha rotina, o despertar e o agir, apenas observo, uma parte de mim tomou o meu lugar, uma nostalgia vertiginosa constantemente atinge-me, silenciosa, faz-me ver imagens, aromas, cores, lembranças, dentro do meu ser, sem ser esse ser, ser eu. Não tenho mais o controle, vivo a mercê de mim mesmo.


Não se trata de um acontecimento ruim, enquanto machuca e entorpece, é algo diferenciado de tudo o que já senti, é ridículo ao ponto de ser patético, mas guarda em si o fascínio do nada, o maravilhar-se sem motivos, sentir a loucura florescer silenciosa em um segundo eu, um eu interno, invisível e constantemente mutável.


Não tenho motivos para escrever, muito menos revelar tais profundezas do meu ser, coisas que penso, não penso, penso sentir, sinto. Mas é como conceber uma parte do meu espírito, transmutar o etéreo que já não cabe mais em mim, em algumas palavras torcidas.


Ás vezes precisamos partir para longe e mergulhar profundamente na ausência, para poder perceber o que ela realmente significa, e o que realmente é importante para nós.

quinta-feira, 5 de março de 2009

(...)

O maior problema que tenho atualmente, é ter que lidar comigo mesmo: com o que vejo, com o que penso, com o que faço, e, em quem acredito (...)

sábado, 24 de maio de 2008

Alguns dias

Perto de mim a madrugada iniciava-se de uma forma sombria e estranha, a lua argumentava contra o sol, cada qual em seus domínios, ambos almejando o futuro que surgiria. As nuvens brilhavam em um crisol colorido e opaco causado pelos confrontos, o tempo parecia estendido no ar, as leves brisas carregavam ressentimentos que me entristeciam, enquanto a luta no céu irradiava imagens boreais. O vento atacava minha imaginação, um misto de prazer e nostalgia dolorosa. E as luzes fugazes em uma sádica dança mantinham meu olhar firme ao horizonte. Eu observava imagens esboçadas, um filme linear da minha vida se desenrolava, sem nexo, porém eloqüente e nítido. Nessa manhã, as pessoas pareciam tão iguais, e tão íntegras em meu espírito, sem distinção.

Aquele tempo estava se refletindo na minha percepção, tudo ao meu redor, toda a energia viva e natural estava pulsando, clamando por atenção.


Tinha certeza, a lucidez abandonara-me, e ao fundo negrume azul dos céus eu me dirigia, sem ar, sem vida, nem luz, aviador eu não era, louco eu sou, moço adormecido em cidade morta, punhos de ferro e caninos afiados, prontos a disputar com a matilha faminta!


Mais uma manhã normal nessa cidade, onde nada muda, nem meus sentimentos por você, que por mais ocultos que são não deixarão de ser sinceros.


Sou tolo, e sei que vou me ferir cedo ou tarde, mas me lembrei de uma antiga decisão, de me entregar de corpo e alma as diversas situações, de não ter medo do futuro incerto, e de acreditar na integridade das pessoas, independente de sua índole ou de suas atitudes.


Queimarei em paixões, mesmo que seu fogo nem venha a existir.
Olharei para o céu, mesmo que a poluição atrapalhe minha visão.
Ansiarei por sua presença, mesmo que você não esteja por vir.
Viverei cada momento, mesmo que aos poucos a vida se vá.


Meus mais preciosos bens são de carne, sangue e coração.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pensamentos (...)

Faz algum tempo que já não venho escrevendo aqui, por hora, assim continuará, guardarei para mim coisas que à mim talvez apenas interessem, porém, nuances podem aparecer por ai, guardar não significa não criar, apenas deixarei minhas idéias em recesso, caso superem o desejo da comunicação, já é outra história (...)

"Palavras não descrevem sentimentos, palavras são levianas, sentimentos são profundos. O que seria nós, se pudéssemos reduzir-nos em uma gama de caracteres? Prefiro fugir à minha própria compreensão (...)"

"Object, object, object (...)"

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O escritor sem palavras, as palavras do escriba

Sou o alcoólatra, a puta ao seu lado a esmolar e o preconceito fecundo e repugnante!
Sua a idéia intrínseca da ausência do bem, mal, bom ou ruim!
Sou cristo em sua orgia dionísica e satânica, o asco em seu olhar!
Sou o que reclama muito sem ter nada a dizer!

Sou o seu impulso social, a loucura reprimida e o bem coletivo na cinza negra que nos engole!

Sou a masturbação constitucional dos atos bem-intencionados!
Sou aquele que não almeja a vida, o que odeia a idéia de ser alguém, de vender o sofrimento individual e de vegetar em uma plantação alheia e desconhecida!

Sou a falsidade, a diferença e o egoísmo que você tanto repudia, sou a contra-cultura que consente calado nas injurias!

Sou o pervertido, o homossexual, a lésbica e o bissexual, sou o metamorfo imaginário e ideológico, eu sou todos, sou você e sou ninguém!


O tempo é cruel e aos poucos exila nossas almas transformando-nos em pessoas civilizadas! Ao menos uma vez em sua existência, mude significadamente sua vida, para que, ao seu fim não acabe vendo que sua essência escoou em um segmento linear e temporal, do qual seguiu um padrão tedioso criado por mentes doentias! Transforme sua curta e insignificante existência em uma lenda, em um mito, em um feito eterno e atemporal, pois nós somos únicos e sabemos onde poderemos chegar!


"Os limites se limitam apenas à mentes pequenas."

"Os que como eu, nada tem a dizer, do nilismo cético ao pessimismo poético, continuem a vagar, nesta terra tão distante, quanto sem fim."

terça-feira, 3 de julho de 2007

É tudo brincadeira!

É incrível como um simples sorriso, ou uma singela atitude de uma pessoa inocente para conosco pode transformar nossas vidas.

Todos nós temos aqueles dias em que cremos nas piores coisas possíveis e no quão ruim é a vida e seus eufemismos, porém ás vezes quando nós menos esperamos nos deparamos defronte um belo sorriso de uma criança na qual a maior preocupação é se divertir.


Nesse momento somos levados a pensar em como nossas vidas são simples e no tanto em que a complicamos com besteiras como problemas cotidianos. Não que essas coisas não sejam importantes, mas que na verdade merecem ser tratadas com menos importância e com mais diversão e felicidade. Já com as banalidades que sempre deixamos de reparar, comece-mos a dar mais importância, pois é nelas que encontraremos a felicidade.


Agora me digam, quanto vale o sorriso de uma criança?


(03/07/07)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Loucura dialética

Retórica da incompreensão.

O que foram aqueles olhares,
nem narcolepsias me tentaram tanto a razão,
traziam não sei que aura negra e misteriosa,
em que arrastavam a compreensão para o desconhecido.


Lâminas fundentes que apenas alegavam uma nova visão.

De que ambos somos um e ninguém é único,
não passando, obstante,
do qual tudo parte e tudo se faz parte,
outrora ainda ninguém tem olhares assim,
e, mesmo se fizeres sangrar por dentro,
ao mesmo compasso, tiraste anos de reclusão,
conseguira não fazer de tudo para o prazer,
mas fizeste tudo possivel ao prazer vão
.

Só falta olhares à milhões,

e, quem sabe, as vidas não acabariam em si,
vãs...

Samsara

Parei na sarjeta, estonteado, atordoado, as pernas frouxas, o pensamento parecendo contrariar a razão. Não atreveria voltar - e passar por tais circunstâncias. Comecei a andar inconsciente entre alucinógenos e estopins, estacando sangue a me amparar. Continuava o martírio íntimo, vozes confusas a repetir, a ecoar, palavras inúteis que, porém, rasgavam-me as vísceras.

Hastes errôneas que passastes à direita ou à esquerda acusavam da morte que envolvia, e, logo dispersava trazendo arrepios e certo prazer que, ás vezes, dava-se feliz, sorrindo um ar de satisfação.


Utilizando o Samsara (fluxo incessante de renascimentos através dos mundos) como metáfora psicológica, podemos interpretar por meio de cuidadosa observação da mente que é possivel ver a consciência como sendo uma sequência de momentos conscientes ao invés de um contínuo de auto-consciência. Cada momento é a experiência de um estado mental específico: um pensamento, uma memória, uma sensação, uma percepção. Um estado mental nasce, existe e, sendo impermanente, cessa dando lugar ao próximo estado mental que surgir. Assim a consciência de um ser senciente pode ser entendida como uma série contínua de nascimentos e mortes destes estados mentais. Neste contexto o renascimento é simplesmente a persistência deste processo.

Come-te a ti mesmo

Consumir, consumir, consumir: este ou aquele, caro ou barato?
Não, sem desejar não vivem, até se matam pela satisfação dos apetites,
há guerras, discriminações, em grande parte ocasionadas por causa dele: o desejo.


Parece tão confuso...

Alegre-se...

É Copa!
É Carnaval!
É Natal!
É festa!

E festa farta para alguns, apenas alguns, uns poucos que gozam prazer "diante"
- o que não se vê, não se sente -, dos problemas-sociais
.

Consumir, consumir, consumir...

Rotulado, avaliado, constatado para a venda!
Olhar, degustar, tatear...
Sinestesia dos sentidos!

Odiar - por não compreender -,
gritar - não há o que dizer,
agredir - haveria como se defender?

Acabará?

Consumir, consumir, consumir...

"Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!"


Em itálico, trecho de Ode ao Burguês, de Mário de Andrade.

Nosce te ipsum

O anseio de escutar a verdade se complica com o temor de a saber. Era a primeira vez que aparecia assim, perto, envolvia, encarava com os olhos furados e escuros. Quanto mais andava, mais aterrava a idéia de a encontrar, obstante dor, sangue e lutas, nada mais importava além da verdade.

- Por quê?

Não me importa os mais temíveis flagelos, apenas a verdade oculta e íntima importa, aquela cujo carregam onde nem mesmo conhecem, - se de fato há algum lugar sobre o qual carregar. Aquela que poderia acabar com todos os males ou causá-los em circunstâncias drásticas.

Haveria razão de viver, a não ser verdadeiramente?

Onde pode haver a mais pura verdade, a não ser em nós mesmos, e, cujo nem mesmo a conhecemos?


Nosce te ipsum (Conhece-te a ti mesmo) é um aforismo grego que segundo a tradição estaria inscrito nos Pórticos do Templo de Apolo em Delfos, na Antiga Grécia. É uma pedra-angular da filosofia de Sócrates e do seu método, a maiêutica, e é muito citado pelo filósofo nos relatos de Platão (Alcibíades, 128d-129) e Xenofontes (Memoráveis, IV, II, 26).
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