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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

(...)

Com calma,
vamos guardar com cuidado,
um segredo revelado,

nos lábios,

no qual reside,
em dispersão constante,
meu-nada, seu-nada.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Paradoxo

Realidade ambivalente do ser humano.

Ascender ao desbotar,
polimerizar o tempo,
florescer a impossibilidade,
na inconstância de existir.

segunda-feira, 1 de março de 2010

El futuro

O ódio.
Um dos sentimentos mais fortes e profundos,
quem sabe, talvez, poderia superar,
o amor.

Sem aceitarmos nossa natureza rústica,
humanizamos um mundo nada humano,
criando ilusões sobre o que poderia,
sem jamais ser;

fantasiamos o amanhã,
esquecemos o presente,
e não recordamos o passado.

Que essas são palavras-tese,
mas se assim concretizar,
que meu nome vire história,
muitos haverão de me contar.

sábado, 28 de novembro de 2009

Aprender

Devemos buscar a arte de aprender,
aprendendo, compreendemos a realidade,
e compreendendo, lendo e escrevendo,
cada vez mais, poderemos sonhar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A mar

As ondas sondam,
O mar que encanta,
Os corações que amam,
Saudoso o vento canta.

Ontem, tu me mandas,
Tuas lamúrias, desencantos,
O coração feito pedra, quantos enganos,
Por ti bruxa-sereia, fui me apaixonar.

domingo, 16 de agosto de 2009

E agora, amor?

Estilização do poema José de Carlos Drummond de Andrade.


E agora, Íkarus?
O amor acabou,
o sentimento cessou,
a ilusão sumiu,
a noite chegou.
E agora, Vicare?
E agora, você?
Declarando e recitando,
repercute os corações,
nos outros desperta,
sentimentos versáteis,
quem ama, não contesta?

Está sem essência.
Está sem falácias.
Está sem caminhos,
já não pode sentir,
já não pode amar,
viver já não pode,
a chama apagou,
a essência não veio,
o carinho não veio,
a felicidade não veio.
Não veio a ilusão
de que nada acabou,
onde tudo nasceu,
destinado pereceu,
e agora Glauco?

E agora, Ménade?
Sua oca palavra,
sua verborragia febril,
sua pena e tinteiro,
seu coração,
sua fatídica ação,
sua diluída verdade,
sua meticulosa incoerência,
seu amor? - E agora?

A mil passos branda então,
quer viver o amor agora;
amor sem essência inexiste.
Quer a simplicidade sincera;
mas escasso o peito ficou.
Ao passado quer regressar;
lembranças e nada mais.
Dionísio, e agora?

Repensemos o amor.
(Eu te amo, eu te amo, eu te amo...)


(30/04/09)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

(...)

Quem abre o coração,
nunca mais fecha-o a alguém,
mesmo que seja ninguém,
que no futuro ficou.

É o que dizem por aí.



"É pau, é pedra, é o fim do caminho.
É um resto de toco, é um pouco sozinho."

(Tom Jobim)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

(...)

Quem sabe um dia.
Quem sabe, quem garante?
Que amanhã não será diferente.

Quem pode dar a certeza?
Da expectativa que me mantém.
Do desejo que nasce em mim.

Quem pode me impedir?
Da loucura que me move.
Das besteiras que eu falo.
Dos equivocos que eu cometo.
E da vida que eu não me arrependo.

Quem poderia me privar?
Dos momentos únicos que eu senti.
Dos momentos patéticos em que eu sorri.
Dos momentos que eu sempre relembro.
E de tudo o que ainda está por vir.

segunda-feira, 2 de março de 2009

(...)

Um não, sem um porquê,
um ser-sei-lá, sem o próprio saber.
Deveria voltar a ser quem sempre fui?

Still Dazzle Days.
There is a light that never goes out, Morrissey?
Never goes out?
Who knows.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Flores

Ainda há flores na cidade, minúsculas,
entre os carros e o concreto, nas gretas.
As flores que caem ao sol da manhã,
tocando o chão, nem sempre verdadeiras.

O entardecer opaco solidifica o ar,
quente, pesado como chumbo.
Ao vermelho intenso, falta amar.
A flor não flor, o que será?

O que uma flor poderia,
se lhe falta a si mesma?
O que uma flor seria,
se não há flor, não floreia?

Ainda há flores na cidade, minúsculas,
entre os carros e o concreto, nas gretas.
As flores que esperam os amanhãs,
amanhãs tão distante das flores alheias.

A flor não flor, inocente utopia animalesca,
imagem distorcida, a verdade derradeira.
Flor de si mesma, não, nunca flor alheia,
um dia desejara, flor alheia tornar-se-ia.

A flor não flor, consciência de si mesma,
no fundo sabe, esperando amanhãs,
que enquanto, da greta, não flor, observar,
tudo ficará bem, sempre amanhecerá.

Será?

Sentido São Paulo

A vida nunca será um caminho constante.
A existência não tem mais significado?
Hoje o caminho que se trilha sem sentido,
Não leva a nada além do que é observado.

Tudo o que brilha e reluz é algoz.
Transforma o desejo em objetivo.
Desloca a vontade e o egoísmo.
Sendo aquilo que você cria em si,

Um verdadeiro sentido?
A essência da vida se dissipa.
Os moldes se criaram entre nós.
De barro o homem se formou,

Não duvido que a ele rápido voltará!
A felicidade não existe e nunca existirá.
Isso é relativo e na mente de cada um está.
Sendo o caminho que você trilha,

O que realmente você será!
O futuro, incerto e misterioso,
Agora é motivo de banalização, gozo.
Nascendo para mandar, morrer, procriar,

Sendo que o sentido, onde estará?
Os padrões silenciosos não se calam.
Estão no olhar, no conceito e na mente.
Sendo que cada um julga o que vê,

Sem nem ao menos ter visão suficiente.
Olhe para dentro de si.
Não és nada, pobre animal!
Veja tudo o que vós tendes.

Nunca será algo em diferencial!
A felicidade não existe e nunca existirá. -Refrão
Isso é relativo e na mente de cada um está.
Sendo o caminho que você trilha,

O que realmente você se tornará!

sábado, 24 de maio de 2008

Alguns dias

Perto de mim a madrugada iniciava-se de uma forma sombria e estranha, a lua argumentava contra o sol, cada qual em seus domínios, ambos almejando o futuro que surgiria. As nuvens brilhavam em um crisol colorido e opaco causado pelos confrontos, o tempo parecia estendido no ar, as leves brisas carregavam ressentimentos que me entristeciam, enquanto a luta no céu irradiava imagens boreais. O vento atacava minha imaginação, um misto de prazer e nostalgia dolorosa. E as luzes fugazes em uma sádica dança mantinham meu olhar firme ao horizonte. Eu observava imagens esboçadas, um filme linear da minha vida se desenrolava, sem nexo, porém eloqüente e nítido. Nessa manhã, as pessoas pareciam tão iguais, e tão íntegras em meu espírito, sem distinção.

Aquele tempo estava se refletindo na minha percepção, tudo ao meu redor, toda a energia viva e natural estava pulsando, clamando por atenção.


Tinha certeza, a lucidez abandonara-me, e ao fundo negrume azul dos céus eu me dirigia, sem ar, sem vida, nem luz, aviador eu não era, louco eu sou, moço adormecido em cidade morta, punhos de ferro e caninos afiados, prontos a disputar com a matilha faminta!


Mais uma manhã normal nessa cidade, onde nada muda, nem meus sentimentos por você, que por mais ocultos que são não deixarão de ser sinceros.


Sou tolo, e sei que vou me ferir cedo ou tarde, mas me lembrei de uma antiga decisão, de me entregar de corpo e alma as diversas situações, de não ter medo do futuro incerto, e de acreditar na integridade das pessoas, independente de sua índole ou de suas atitudes.


Queimarei em paixões, mesmo que seu fogo nem venha a existir.
Olharei para o céu, mesmo que a poluição atrapalhe minha visão.
Ansiarei por sua presença, mesmo que você não esteja por vir.
Viverei cada momento, mesmo que aos poucos a vida se vá.


Meus mais preciosos bens são de carne, sangue e coração.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O escritor sem palavras, as palavras do escriba

Sou o alcoólatra, a puta ao seu lado a esmolar e o preconceito fecundo e repugnante!
Sua a idéia intrínseca da ausência do bem, mal, bom ou ruim!
Sou cristo em sua orgia dionísica e satânica, o asco em seu olhar!
Sou o que reclama muito sem ter nada a dizer!

Sou o seu impulso social, a loucura reprimida e o bem coletivo na cinza negra que nos engole!

Sou a masturbação constitucional dos atos bem-intencionados!
Sou aquele que não almeja a vida, o que odeia a idéia de ser alguém, de vender o sofrimento individual e de vegetar em uma plantação alheia e desconhecida!

Sou a falsidade, a diferença e o egoísmo que você tanto repudia, sou a contra-cultura que consente calado nas injurias!

Sou o pervertido, o homossexual, a lésbica e o bissexual, sou o metamorfo imaginário e ideológico, eu sou todos, sou você e sou ninguém!


O tempo é cruel e aos poucos exila nossas almas transformando-nos em pessoas civilizadas! Ao menos uma vez em sua existência, mude significadamente sua vida, para que, ao seu fim não acabe vendo que sua essência escoou em um segmento linear e temporal, do qual seguiu um padrão tedioso criado por mentes doentias! Transforme sua curta e insignificante existência em uma lenda, em um mito, em um feito eterno e atemporal, pois nós somos únicos e sabemos onde poderemos chegar!


"Os limites se limitam apenas à mentes pequenas."

"Os que como eu, nada tem a dizer, do nilismo cético ao pessimismo poético, continuem a vagar, nesta terra tão distante, quanto sem fim."

domingo, 1 de julho de 2007

Pobre burguês social!

Esplêndido sol ensangüentado que ilumina árvores mortas
Dragões motorizados sempre se abatem entre ruas tortas
A sujeira moral se sobrepõe entre as calçadas das praças
O ar antes límpido agora só trás desilusões e desgraças

O bom cidadão burguês se apresenta na realidade social
Seu terno e seu pincenés escondem um espírito comedido
A felicidade de seus atos nobres se esvai pela mídia leal
O antro cravado pela mesmice de um dia organizado

Suas palavras um dia primogênitos escravizou
Com sua postura, hoje um menino pobre ele calou
Perfeitamente polido para quem o vê como senhor
Mas nunca feliz para quem sente o impregnante fedor

Em seu coração a agonia se exala ferozmente
Sua alma é um espectro cavalgando para o ar
No fim de sua vida luxuosa perceberá tristemente
Que há coisas nesse mundo impossíveis de comprar

A organização nos levou onde nunca ninguém chegou
Agora cada um vive seu mundo, o universo se multiplicou
Nunca se chocam, ao menor atrito nascem rios de lágrimas
Que limpam nossas vidas fazendo-nos esquecer as mágoas


Influência: Ode ao Burguês, de Mário de Andrade.


(29/06/07)

domingo, 24 de junho de 2007

Belladonnas da morte

Perecendo em campos de anêmonas
Roseiras feridas sangram a aurora
Ferido está a quimera da minha vida
E negros clarins clamam minha volta

Em algum campo de belladonnas da morte
Sozinho as brumas sussurram por mim
Pântanos aspergem um observar inerte
E chuvas traçam uma história sem fim

Tudo não passaria de devaneios?
Nos olhos apenas o fogo da mortalha
Não me deixe ausente tais anseios
Sem esta ilusão minha vida se exala

O pesadelo acabando com meu mundo
Destruindo tudo o que eu finjo amar
Arrastando tudo para a escuridão
Ao som do meu silencioso agonizar

Não consigo deter, agora irei lutar
Com você ao meu lado, tudo irá mudar
Na noite misteriosa, o ensejo do ar
Pois assim talvez sempre, poderei lhe amar


(25/06/07)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Loucura dialética

Retórica da incompreensão.

O que foram aqueles olhares,
nem narcolepsias me tentaram tanto a razão,
traziam não sei que aura negra e misteriosa,
em que arrastavam a compreensão para o desconhecido.


Lâminas fundentes que apenas alegavam uma nova visão.

De que ambos somos um e ninguém é único,
não passando, obstante,
do qual tudo parte e tudo se faz parte,
outrora ainda ninguém tem olhares assim,
e, mesmo se fizeres sangrar por dentro,
ao mesmo compasso, tiraste anos de reclusão,
conseguira não fazer de tudo para o prazer,
mas fizeste tudo possivel ao prazer vão
.

Só falta olhares à milhões,

e, quem sabe, as vidas não acabariam em si,
vãs...

Come-te a ti mesmo

Consumir, consumir, consumir: este ou aquele, caro ou barato?
Não, sem desejar não vivem, até se matam pela satisfação dos apetites,
há guerras, discriminações, em grande parte ocasionadas por causa dele: o desejo.


Parece tão confuso...

Alegre-se...

É Copa!
É Carnaval!
É Natal!
É festa!

E festa farta para alguns, apenas alguns, uns poucos que gozam prazer "diante"
- o que não se vê, não se sente -, dos problemas-sociais
.

Consumir, consumir, consumir...

Rotulado, avaliado, constatado para a venda!
Olhar, degustar, tatear...
Sinestesia dos sentidos!

Odiar - por não compreender -,
gritar - não há o que dizer,
agredir - haveria como se defender?

Acabará?

Consumir, consumir, consumir...

"Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!"


Em itálico, trecho de Ode ao Burguês, de Mário de Andrade.
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