sexta-feira, 25 de maio de 2007

Samsara

Parei na sarjeta, estonteado, atordoado, as pernas frouxas, o pensamento parecendo contrariar a razão. Não atreveria voltar - e passar por tais circunstâncias. Comecei a andar inconsciente entre alucinógenos e estopins, estacando sangue a me amparar. Continuava o martírio íntimo, vozes confusas a repetir, a ecoar, palavras inúteis que, porém, rasgavam-me as vísceras.

Hastes errôneas que passastes à direita ou à esquerda acusavam da morte que envolvia, e, logo dispersava trazendo arrepios e certo prazer que, ás vezes, dava-se feliz, sorrindo um ar de satisfação.


Utilizando o Samsara (fluxo incessante de renascimentos através dos mundos) como metáfora psicológica, podemos interpretar por meio de cuidadosa observação da mente que é possivel ver a consciência como sendo uma sequência de momentos conscientes ao invés de um contínuo de auto-consciência. Cada momento é a experiência de um estado mental específico: um pensamento, uma memória, uma sensação, uma percepção. Um estado mental nasce, existe e, sendo impermanente, cessa dando lugar ao próximo estado mental que surgir. Assim a consciência de um ser senciente pode ser entendida como uma série contínua de nascimentos e mortes destes estados mentais. Neste contexto o renascimento é simplesmente a persistência deste processo.

Um comentário:

Rainha disse...

as intermitencias da morte... ou cocaína injetada!

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