Quem sabe um dia.
Quem sabe, quem garante?
Que amanhã não será diferente.
Quem pode dar a certeza?
Da expectativa que me mantém.
Do desejo que nasce em mim.
Quem pode me impedir?
Da loucura que me move.
Das besteiras que eu falo.
Dos equivocos que eu cometo.
E da vida que eu não me arrependo.
Quem poderia me privar?
Dos momentos únicos que eu senti.
Dos momentos patéticos em que eu sorri.
Dos momentos que eu sempre relembro.
E de tudo o que ainda está por vir.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
(...)
Minha vida tem se tornado muito surrealista ultimamente. Sinto que se eu batesse os braços, poderia voar com as andorinhas, poderia perder o limiar do que realmente vejo. Imagens desconexas, sentimentos em suas formas tridimensionais.
Perdi o desejo pelas cores, pelos sabores, pela preferência. A vida se tornou um carretel ao qual estende seu barbante já pesado demais pelo comprimento, constante, sempre seguindo na mesma freqüência, tons de cinza por todos os lados, as pessoas tornaram-se sombras pela qual não as diferencio uma das outras.
Sinto falta de uma grande cólera incurável, de um problema irremediável, algo do qual eu possa fazer objeções, um mal necessário que faça nascer em mim o instinto, a ânsia de continuar. Sinto-me incompleto, não pela ausência, mas sim pelo excesso, como se minha alma não coubesse mais em meu corpo.
Cada detalhe, cada segundo me prende, mergulho na imensidão do nada, um momento torna-se eterno, as palavras tem o poder de transmutar a realidade, pois a minha, talvez já não seja mais tão real.
Minha existência está lutando em função de descobrir um significante, um motivo para si mesma, algo que a justifique. Já não tenho mais consciência sobre essas coisas. Percebo não estar mais em mim, sinto-me distante, apenas observando, vendo minha rotina, o despertar e o agir, apenas observo, uma parte de mim tomou o meu lugar, uma nostalgia vertiginosa constantemente atinge-me, silenciosa, faz-me ver imagens, aromas, cores, lembranças, dentro do meu ser, sem ser esse ser, ser eu. Não tenho mais o controle, vivo a mercê de mim mesmo.
Não se trata de um acontecimento ruim, enquanto machuca e entorpece, é algo diferenciado de tudo o que já senti, é ridículo ao ponto de ser patético, mas guarda em si o fascínio do nada, o maravilhar-se sem motivos, sentir a loucura florescer silenciosa em um segundo eu, um eu interno, invisível e constantemente mutável.
Não tenho motivos para escrever, muito menos revelar tais profundezas do meu ser, coisas que penso, não penso, penso sentir, sinto. Mas é como conceber uma parte do meu espírito, transmutar o etéreo que já não cabe mais em mim, em algumas palavras torcidas.
Ás vezes precisamos partir para longe e mergulhar profundamente na ausência, para poder perceber o que ela realmente significa, e o que realmente é importante para nós.
Perdi o desejo pelas cores, pelos sabores, pela preferência. A vida se tornou um carretel ao qual estende seu barbante já pesado demais pelo comprimento, constante, sempre seguindo na mesma freqüência, tons de cinza por todos os lados, as pessoas tornaram-se sombras pela qual não as diferencio uma das outras.
Sinto falta de uma grande cólera incurável, de um problema irremediável, algo do qual eu possa fazer objeções, um mal necessário que faça nascer em mim o instinto, a ânsia de continuar. Sinto-me incompleto, não pela ausência, mas sim pelo excesso, como se minha alma não coubesse mais em meu corpo.
Cada detalhe, cada segundo me prende, mergulho na imensidão do nada, um momento torna-se eterno, as palavras tem o poder de transmutar a realidade, pois a minha, talvez já não seja mais tão real.
Minha existência está lutando em função de descobrir um significante, um motivo para si mesma, algo que a justifique. Já não tenho mais consciência sobre essas coisas. Percebo não estar mais em mim, sinto-me distante, apenas observando, vendo minha rotina, o despertar e o agir, apenas observo, uma parte de mim tomou o meu lugar, uma nostalgia vertiginosa constantemente atinge-me, silenciosa, faz-me ver imagens, aromas, cores, lembranças, dentro do meu ser, sem ser esse ser, ser eu. Não tenho mais o controle, vivo a mercê de mim mesmo.
Não se trata de um acontecimento ruim, enquanto machuca e entorpece, é algo diferenciado de tudo o que já senti, é ridículo ao ponto de ser patético, mas guarda em si o fascínio do nada, o maravilhar-se sem motivos, sentir a loucura florescer silenciosa em um segundo eu, um eu interno, invisível e constantemente mutável.
Não tenho motivos para escrever, muito menos revelar tais profundezas do meu ser, coisas que penso, não penso, penso sentir, sinto. Mas é como conceber uma parte do meu espírito, transmutar o etéreo que já não cabe mais em mim, em algumas palavras torcidas.
Ás vezes precisamos partir para longe e mergulhar profundamente na ausência, para poder perceber o que ela realmente significa, e o que realmente é importante para nós.
quinta-feira, 5 de março de 2009
(...)
O maior problema que tenho atualmente, é ter que lidar comigo mesmo: com o que vejo, com o que penso, com o que faço, e, em quem acredito (...)
segunda-feira, 2 de março de 2009
(...)
Um não, sem um porquê,
um ser-sei-lá, sem o próprio saber.
Deveria voltar a ser quem sempre fui?
Still Dazzle Days.
There is a light that never goes out, Morrissey?
Never goes out?
Who knows.
um ser-sei-lá, sem o próprio saber.
Deveria voltar a ser quem sempre fui?
Still Dazzle Days.
There is a light that never goes out, Morrissey?
Never goes out?
Who knows.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Flores
Ainda há flores na cidade, minúsculas,
entre os carros e o concreto, nas gretas.
As flores que caem ao sol da manhã,
tocando o chão, nem sempre verdadeiras.
O entardecer opaco solidifica o ar,
quente, pesado como chumbo.
Ao vermelho intenso, falta amar.
A flor não flor, o que será?
O que uma flor poderia,
se lhe falta a si mesma?
O que uma flor seria,
se não há flor, não floreia?
Ainda há flores na cidade, minúsculas,
entre os carros e o concreto, nas gretas.
As flores que esperam os amanhãs,
amanhãs tão distante das flores alheias.
A flor não flor, inocente utopia animalesca,
imagem distorcida, a verdade derradeira.
Flor de si mesma, não, nunca flor alheia,
um dia desejara, flor alheia tornar-se-ia.
A flor não flor, consciência de si mesma,
no fundo sabe, esperando amanhãs,
que enquanto, da greta, não flor, observar,
tudo ficará bem, sempre amanhecerá.
Será?
entre os carros e o concreto, nas gretas.
As flores que caem ao sol da manhã,
tocando o chão, nem sempre verdadeiras.
O entardecer opaco solidifica o ar,
quente, pesado como chumbo.
Ao vermelho intenso, falta amar.
A flor não flor, o que será?
O que uma flor poderia,
se lhe falta a si mesma?
O que uma flor seria,
se não há flor, não floreia?
Ainda há flores na cidade, minúsculas,
entre os carros e o concreto, nas gretas.
As flores que esperam os amanhãs,
amanhãs tão distante das flores alheias.
A flor não flor, inocente utopia animalesca,
imagem distorcida, a verdade derradeira.
Flor de si mesma, não, nunca flor alheia,
um dia desejara, flor alheia tornar-se-ia.
A flor não flor, consciência de si mesma,
no fundo sabe, esperando amanhãs,
que enquanto, da greta, não flor, observar,
tudo ficará bem, sempre amanhecerá.
Será?
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