quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cerejeiras da vida

Olívio não soube o que acontecera frente a seus olhos. A pálida face embebida em seiva própria, os fios longos, ruivos, envoltos pela viscosa polpa estagnada, tais humanos membros tão frágeis, descansando suavemente, pelo quais ramificações vivas retocavam-lhe as características leitosas. Tal quadro o perturbava de tal forma que seu corpo não se movia, era regido por uma natureza maior; terrificante.

Não sabia o que ocorrera consigo. Em meio às lamurias por onde a curiosidade abre caminho, através de astuciosas espreitadelas deparou-se com olhos profundos, de um rubi puro e cristalino, onde a pupila pulsava lânguida, prestes a extinguir-se, e tudo silenciou.

Olívio não era mais. Sua desfocada visão permeando a densa floresta que o envolvia apenas conseguia deter-se às centelhas da triste e viva chama púrpura, que era exalada pelo vislumbrar vívido. O ar rarefeito fazia com que aquela profunda visão o acometesse de vertigens. Seus sentidos fartavam-se dos raios violetas enchendo-o de angústia e medo.

Seu coração pulsou.

Estava deitado nas raízes de uma frondosa cerejeira paralela a um pacífico casebre, enquanto a tarde deitava tranquilamente consentindo com a estreita vereda. Olívio refletiu, não sabia ao certo o que fora aquilo, - um sonho talvez -, e apesar de sua inquietação, recostou-se novamente na árvore observando seus galhos, suas ramificações.

Percorria com os olhos cada artéria. Via naquela trama viva tantos encontros e desencontros que, a cada singela cereja que surgia, por menor que fosse, afigurava-se com tamanha intensidade em sua mente, que por um momento chegou a acreditar que sua cor fosse sua essência, incutindo-lhe a vida, desde sua tenra idade até seu lento definhar, - e tudo parecia tão natural.

- Sou cereja? Olívio indagou.

Mas não houve uma resposta antes de suas pálpebras cerrarem-se novamente.

Olívio não era mais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Individualidade

Uma - aliás, não uma, não, mais uma, uma entre tantas, - ínfima centelha da condição humana, que acredita - qual não acreditaria? - ser toda a constelação divina.

sábado, 28 de novembro de 2009

Aprender

Devemos buscar a arte de aprender,
aprendendo, compreendemos a realidade,
e compreendendo, lendo e escrevendo,
cada vez mais, poderemos sonhar.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Silêncio

Silêncio
(latim silentiu)
s. m.
1. Estado de quem se abstém de falar.
2. Cessação de ruído.
3. Interrupção de correspondência.
4. Omissão de uma explicação.
5. Sossego.

Memórias

Hoje, perdi uma peculiar parte de mim, sem ao menos tê-la, sem ao menos fazer nada, sem ao menos poder. Conforta-me a ilusão de acreditar que deveria ser assim. Mas eis que em um momento, em apenas um momento, vemos a ínfima lacuna que fomos diande da grande possibilidade que seremos. Por esses minutos de lucidez, brindo estes pensamentos a quem não sei definir, apenas, tão só, valorizar. Obrigado.


(19:00 à 19:30 - 12/11/09)
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