terça-feira, 11 de janeiro de 2011

(...)

Com calma,
vamos guardar com cuidado,
um segredo revelado,

nos lábios,

no qual reside,
em dispersão constante,
meu-nada, seu-nada.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quem - ou o que - sou?

Uma descrição singela, porém justa, basear-se-ia nas expectativas e frustrações projetadas sobre meu corpo e/ou palavras. Minhas faltas, nada mais do que já vistes e desaprovastes - repugnastes. Meus acertos, seus objetivos - anseios. Cabe a ti, agora, julgar conforme o tato: escolha a cor, doce ou amargo? A quem preferir ambos - caso tenha ciência da dualidade - sem o véu nos olhos que cobre o - ingênuo - senso de humanidade presente em cada ser, a minha sincera admiração. Agora podes responder - com convicção - o que sou, ou o que deveria ser.

domingo, 4 de julho de 2010

Citatene Purp

Coronária de São Paulo, em um bloco qualquer submerso no subcutâneo da sociedade: reduto de verdades, sinceridades e amargor, um belo lugar de se levar a vida, diga-se de passagem. Ao lado de uma artéria, mal se distingue o que poderia ser considerado uma pessoa. Na taciturnidade, lânguido às frestas de um bueiro, cabelos vermelhos e desbotados em um corpo sacramente prostrado perante a realidade, na tez seminua e voluptuosa a expressão do acaso, a essência lúcida, mas, que olhos vivazes, que olhos verdadeiros fitam os feixes brilhantes que se insinuam na caverna. Lábios trêmulos. Distingue-se o desejo na noite que se aproxima trazendo peripécias aos frutos vistosos da ilusão.

- Quantas formas de extrair prazer...

Lábios trêmulos.
Afastando ambas as mãos de seu âmago, expõe um singelo metal perfurante.
O desejo incita seus sentidos, o momento se aproxima.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Paradoxo

Realidade ambivalente do ser humano.

Ascender ao desbotar,
polimerizar o tempo,
florescer a impossibilidade,
na inconstância de existir.

segunda-feira, 1 de março de 2010

El futuro

O ódio.
Um dos sentimentos mais fortes e profundos,
quem sabe, talvez, poderia superar,
o amor.

Sem aceitarmos nossa natureza rústica,
humanizamos um mundo nada humano,
criando ilusões sobre o que poderia,
sem jamais ser;

fantasiamos o amanhã,
esquecemos o presente,
e não recordamos o passado.

Que essas são palavras-tese,
mas se assim concretizar,
que meu nome vire história,
muitos haverão de me contar.
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.